Dez álbuns de MPB que completam 50 anos em 2019 e continuam moderníssimos

Detalha da ilustração de Guido Albery para a capa do álbum de 1969 de Jorge Ben Jor. Foto: Divulgação / Philips

Ano de ouro para o nascente gênero, 1969 foi marcado por lançamentos de, entre outros, Gilberto Gil, Jorge Ben Jor, Gal Costa e Milton Nascimento

Nem mesmo o peso dos dias de terror inaugurados com o recém-decretado Ato Institucional nº 5 pôde conter a força criativa que transformou o ano de 1969 em um dos mais inventivos para a trajetória da nascente MPB – ao leitor que estranhar o termo “nascente”, vale lembrar que o rótulo MPB, sucessor de MPM (Música Popular Moderna), foi cravado três ou quatro anos antes, com o advento dos festivais da canção organizados no eixo Rio/São Paulo e em diversas capitais do País.

Com o decreto do AI-5, que teve como consequência imediata a escalada de episódios de tortura e mortes a opositores do regime então liderado pelo general Costa e Silva, para artistas de opinião mais contundente, taxados pelos militares de “subversivos”, a saída mais segura foi abandonar o Brasil e partir para o exílio no exterior. Decisão recomendada por seus algozes e acatada por Gilberto Gil e Caetano Veloso, que foram presos em 27 de dezembro de 1968 e permaneceram encarcerados por dois meses, quando foram libertos na Quarta-Feira de Cinzas de 1969. Decisão que, entre outros grandes artistas, também norteou a partida de Chico Buarque e de Edu Lobo – respectivamente radicados em Roma, na Itália, e em Los Angeles, nos Estados Unidos – de seu amado País

Antes de saírem de cena, Gil e Caetano, no entanto, colocaram na praça dois LP epônimos que marcaram suas carreiras. O LP de Caetano ficou conhecido como ‘álbum branco’, graças ao despojamento da capa com explícita alusão ao LP lançado pelos Beatles no ano anterior; de arte gráfica não menos inspirada, assinada por Rogério Duarte, o álbum de Gil ganhou o apelido de ‘Cérebro Eletrônico’, título emprestado da faixa que involuntariamente se tornou espécie de carro-chefe do LP.

Para chancelar a constatação de que 1969 foi mesmo um ano mágico para a MPB, selecionamos a seguir, além desses dois álbuns de Gil e Caetano, outros oito títulos que, 50 anos depois, ainda exalam o mesmo frescor de modernidade a eles atribuído com precisão, meio século atrás,  por críticos e ouvintes atentos.

Gal Costa – Gal Costa
Nossa lista começa com cinco dos mais emblemáticos álbuns do tropicalismo. Todos lançados pela Philips e marcados pela produção inventiva de Manoel Barenbein. O primeiro deles, a imponente estreia solo de Gal Costa, álbum epônimo editado dois anos depois de a cantora dividir com o amigo Caetano Domingo, o singelo LP nitidamente influenciado pela bossa nova de João Gilberto, guru de ambos. Neste primeiro álbum solo de Gal, a inspiração da bossa ainda é patente, mas a intérprete que surge dos sulcos do vinil é radicalmente diferente da cantora comedida de outrora. A partir deste álbum, pelo contrário, Gal não hesita em soltar a enorme voz (guinada ainda mais explicita no anárquico álbum seguinte, informalmente chamado de Cultura e Civilização e também lançado em 1969). No repertório, maravilhas como Não Identificado, de Caetano, Namorinho de Portão, de Tom Zé, Vou Recomeçar, de Roberto e Erasmo Carlos, Divino, Maravilhoso, de Caetano e Gil, e Deus é o Amor, uma pequena pérola de Jorge Ben Jor jamais gravada por ele. Entre os artistas escalados para a gravação, um pessoal da pesada, parafraseando Gal, marca presença, com destaque para Lanny Gordin, Rogério Duprat, Jards Macalé e Gilberto Gil.


Gilberto Gil – Cérebro Eletrônico
Emblemático desde o projeto gráfico assinado pelo saudoso Rogério Duarte, o álbum que antecede a partida de Gil para o exílio em Londres também conta com a presença de Lanny Gordin e Rogério Duprat (respectivamente nas guitarras e nos arranjos, é claro), e reúne ainda um duo de craques da música instrumental da época na execução dos nove temas: o baterista Wilson das Neves, que dispensa apresentações, e o contrabaixista Sergio Barroso, ex-integrante do Rio 65 Trio de Dom Salvador e do Trio 3-D de Antonio Adolfo, que também foi curinga de feras como Marcos Valle, Maysa, Wanda Sá e Roberto Menescal. Com faixas arrebatadoras como Volks Volkswagen BluesAquele Abraço, Vitrines e Objeto Semi-Identificado, o álbum de Gil se impõe como um dos pontos altos do rebuliço estético proposto pelo tropicalismo. Obrigatório!

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